Cuidado con la autoridad

Em seu livro "Fora de Série: Outliers", Malcolm Gladwell elabora algumas teorias fascinantes, extensivamente suportadas por dados. Uma dessas observações - que associo ao papel das figuras de autoridade nos negócios - é que você está, na verdade, mais seguro quando o copiloto está pilotando o avião (Capítulo 7: "A teoria ética dos acidentes aéreos")! Não há correlação positiva entre tripulantes inexperientes e acidentes aéreos; na verdade, o que acontece é o contrário. São os comandantes de voo mais experientes que sofrem esses acidentes, e não os menos experientes. Além disso, certos países tendem a ter mais acidentes, apesar de seguirem os mesmos procedimentos internacionais e terem tripulações muito capazes.
O que aconteceu? Os índices de autoridade nos quais essas tripulações operavam eram altos. A tripulação cresceu em um país no qual não é costume questionar a autoridade, ou um comandante particularmente forte estava cuidando do voo. Assim, quando o voo passava por problemas sérios, a tripulação tendia a não falar para não "passar por cima" da autoridade, mesmo no meio da catástrofe! O setor aéreo descobriu que é preciso ter uma série de erros para causar um acidente, e que a comunicação franca na cabine é vital.
Pode-se dizer o mesmo nas empresas. Isso é ainda mais verdadeiro em firmas no setor de tecnologia, nas quais a inovação geralmente vem de baixo, e não de um único executivo ou mesmo de uma equipe executiva. Quando você percebe uma maneira de captar e aproveitar essas ideias, então você tem uma cultura de inovação que impulsiona sua empresa continuamente. Culturas ou estilos de gerência de "comando e controle" raramente dão certo em nosso setor, ou têm sucesso apenas em empresas de tecnologia muito maduras, com clientes cativos.
A empresa tente a perpetuar o mito do "pregador único", apontando continuamente uma pessoa como a única razão para o sucesso. Steve Jobs é o exemplo mais recente. Na verdade, o que Steve Jobs criou foi uma cultura de comunicação franca e de questionar tudo, inclusive a autoridade. Fazer sua equipe pensar por conta própria é a forma de desenvolver excelência organizacional e inovação.


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